Perguntas e Respostas

Respostas diretas para as dúvidas que mais chegam ao consultório

Ansiedade, depressão, relacionamentos, sono, trauma e o próprio processo terapêutico — explicados em linguagem clara, sem jargão e sem promessas fáceis. Se a sua dúvida não estiver aqui, pergunte pelo WhatsApp.

Ansiedade e crises de pânico

O que é uma crise de ansiedade e como reconhecer?

Uma crise de ansiedade é um pico agudo de alarme do organismo. Os sinais mais comuns são coração acelerado, falta de ar, aperto no peito, tremores, suor frio, tontura, formigamento nas mãos e uma sensação intensa de que algo terrível vai acontecer.

O que mais assusta é que ela costuma surgir sem motivo aparente — inclusive em momentos de descanso. Isso acontece porque o sistema de alarme cerebral já está em vigilância contínua e dispara sem gatilho externo. A crise é desconfortável e assustadora, mas não é perigosa: ela atinge o pico em poucos minutos e cede sozinha.

Qual a diferença entre ansiedade normal e transtorno de ansiedade?

A ansiedade normal tem causa identificável, é proporcional à situação e passa quando a situação se resolve — como o nervosismo antes de uma entrevista.

No transtorno, a ansiedade se torna desproporcional, persistente e passa a limitar a vida: você evita situações, perde sono, tem sintomas físicos frequentes e a preocupação continua mesmo sem ameaça real. O critério prático é o prejuízo: quando a ansiedade começa a decidir o que você faz ou deixa de fazer, é hora de buscar ajuda.

O que fazer durante uma crise de pânico?

No momento da crise, o objetivo não é fazer a crise parar — é atravessá-la. Sente-se em um lugar seguro, alongue a expiração (inspire contando até quatro, expire contando até seis) e lembre a si mesmo que a sensação vai passar em poucos minutos, porque isso é fisiologicamente verdadeiro.

Lutar contra a crise a intensifica, porque o corpo interpreta a luta como confirmação de perigo. Crises recorrentes, porém, exigem acompanhamento profissional — elas costumam sinalizar um conflito que segue sem elaboração.

Depressão e desânimo

Qual a diferença entre tristeza e depressão?

A tristeza tem objeto: você sabe pelo que está triste, ela varia ao longo do dia e convive com momentos de alívio. É uma resposta saudável a perdas e frustrações.

A depressão é um estado que se instala: perda de interesse por quase tudo, cansaço que o descanso não resolve, alterações de sono e apetite, dificuldade de concentração, sensação de vazio ou de culpa persistente. Quando esses sinais duram mais de duas semanas e comprometem a rotina, é depressão — e ela precisa de cuidado profissional.

Depressão é falta de fé, de esforço ou de gratidão?

Não. A depressão é um adoecimento real, com bases psíquicas e neurobiológicas documentadas. Dizer a alguém deprimido que basta ter mais fé, mais força de vontade ou mais gratidão apenas acrescenta culpa a quem já está sobrecarregado — e costuma afastar a pessoa do tratamento.

Fé e espiritualidade podem ser um recurso importante de sustentação para quem as tem, mas não substituem o cuidado clínico, do mesmo modo que não substituem o tratamento de uma doença cardíaca.

Como ajudar alguém com depressão?

Ofereça presença em vez de conselhos. Frases como “reage”, “você tem tudo para ser feliz” ou “é só escolher” aumentam o isolamento. Funciona melhor perguntar como a pessoa está de verdade e suportar a resposta sem tentar consertá-la.

Ajude com o concreto: acompanhar até a primeira consulta, marcar o horário, cuidar de tarefas práticas. E não leve o afastamento para o lado pessoal — ele é sintoma, não rejeição. Se houver qualquer menção a não querer viver, procure ajuda imediatamente: o CVV atende gratuitamente pelo 188, 24 horas por dia.

Relacionamentos e família

Por que eu sempre me envolvo com o mesmo tipo de pessoa?

Porque a escolha amorosa não é feita apenas pela razão. Repetimos, sem perceber, padrões vinculares aprendidos muito cedo — modos de amar, de ser cuidado, de ser abandonado. O que é familiar tende a parecer certo, mesmo quando faz mal.

É por isso que a repetição não se resolve com uma lista de critérios ou com a decisão consciente de escolher diferente. Ela cede quando se compreende o que exatamente está sendo repetido, e a serviço de quê — trabalho que a psicanálise faz com precisão.

Como saber a hora de terminar um relacionamento?

Não existe fórmula, mas alguns sinais são consistentes: quando o desgaste é maior do que a construção, quando o silêncio virou estratégia de sobrevivência, quando um dos dois já se retirou emocionalmente há muito tempo, ou quando existe violência de qualquer natureza — física, verbal, financeira ou psicológica. Em situações de violência, a segurança vem antes de qualquer processo terapêutico.

Na maior parte dos casos, porém, a dúvida não é sobre o outro: é sobre o que você está disposto a viver. A terapia não decide por você — ela devolve clareza para que a decisão seja sua, e não do medo.

Meu filho adolescente não fala comigo. O que fazer?

O silêncio do adolescente costuma ser tentativa de construir um espaço próprio, não punição aos pais. Insistir com perguntas diretas normalmente fecha ainda mais a porta.

O que funciona é presença sem interrogatório: estar disponível em atividades compartilhadas, respeitar limites e sustentar a certeza de que você está ali quando ele quiser falar. Se houver isolamento acentuado, queda no desempenho escolar, mudanças bruscas de sono ou apetite, marcas no corpo ou falas sobre morte, busque avaliação profissional sem adiar.

Sobre o processo terapêutico

Terapia online funciona tão bem quanto presencial?

Sim. A pesquisa em psicoterapia mostra resultados equivalentes entre as duas modalidades para a maioria das demandas. O que sustenta o processo é o vínculo terapêutico e a regularidade, não a distância física.

O online exige apenas duas condições: um ambiente privado, onde você possa falar sem ser ouvido, e o mesmo compromisso com o horário que teria com uma sessão presencial. É a modalidade que uso com brasileiros que vivem em Portugal, Bélgica, França e outros países.

Quanto tempo dura um processo de análise?

Não existe um número fixo de sessões. Processos mais focados, voltados a uma questão delimitada, podem durar alguns meses. Trabalhos mais profundos, que buscam mudanças estruturais na forma de viver e se relacionar, se estendem por mais tempo.

A frequência e a duração são combinadas em conjunto e revistas ao longo do caminho. Você tem total liberdade para interromper quando quiser — mas conversar sobre a interrupção antes de decidir costuma ser, em si, uma parte valiosa do processo.

Tudo o que eu falar fica em sigilo?

Sim. O sigilo é uma obrigação ética inegociável e vale para tudo que é dito em sessão, inclusive a própria existência do atendimento. Nenhuma informação é compartilhada com familiares, empregadores ou terceiros.

As únicas exceções são as previstas em lei, como risco iminente de vida para o paciente ou para outra pessoa. Mesmo nesses casos, a conduta é sempre conversada com o paciente antes de qualquer providência.

Você atende pessoas de outras religiões ou sem religião?

Sim, sem qualquer restrição. Minha formação é clínica e científica, e o consultório não é lugar de conversão nem de julgamento sobre crenças.

Para quem deseja, a dimensão espiritual pode ser incluída no trabalho como parte legítima da própria história — do mesmo modo que a cultura, a família e a profissão. Para quem não deseja, ela simplesmente não entra. Quem define é sempre o paciente.

Como a mente funciona

O que é neuropsicanálise?

A neuropsicanálise é o campo que integra a psicanálise às neurociências. Em vez de tratar mente e cérebro como coisas separadas, ela investiga como os processos inconscientes descritos por Freud se manifestam no funcionamento neural — memória, emoção, sistemas de alerta, regulação afetiva.

Na prática clínica, isso significa unir duas lentes: a escuta da história singular de cada pessoa e a compreensão de como o sistema nervoso responde ao estresse, ao trauma e ao vínculo. É psicanálise informada pela ciência contemporânea, sem abrir mão da profundidade.

O que é trauma e por que ele continua afetando anos depois?

Trauma é uma experiência que ultrapassou a capacidade psíquica de elaborar aquilo no momento em que aconteceu. Sem elaboração, a experiência não é arquivada como memória do passado: ela permanece ativa, reagindo como se ainda estivesse acontecendo.

Por isso um cheiro, um tom de voz ou uma data podem disparar reações intensas e aparentemente desproporcionais anos depois. O tratamento não apaga o que aconteceu — ele permite que a experiência finalmente encontre palavras e passe a ocupar o lugar de passado.

Por que não consigo dormir mesmo estando exausto?

Porque o cansaço físico e o estado de alerta mental são coisas diferentes. Se o sistema de alarme do cérebro segue ativado, ele impede a transição para o sono mesmo com o corpo esgotado — é uma proteção contra um perigo que, no seu caso, não é externo.

Higiene do sono ajuda, mas raramente resolve sozinha quando a causa é psíquica. Insônia persistente costuma sinalizar preocupação, luto ou conflito que não encontrou espaço para ser pensado durante o dia — e por isso volta à noite.

Burnout é o mesmo que depressão?

Não. O burnout é um esgotamento relacionado especificamente ao trabalho ou a um papel de responsabilidade contínua, marcado por exaustão, distanciamento emocional da atividade e sensação de ineficácia. Fora daquele contexto, a pessoa ainda consegue sentir prazer.

Na depressão, o desânimo se espalha por todas as áreas da vida. Os dois quadros podem coexistir, e um burnout prolongado sem cuidado frequentemente evolui para depressão — razão pela qual vale tratá-lo cedo.

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Na Central de Conteúdo há artigos completos sobre cada um desses temas. E se a sua dúvida é sobre valores, horários ou como funciona o atendimento, essas respostas estão no FAQ.

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